O corpo do jornalista Zuenir Ventura será velado nesta quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), e enterrado no mausoléu da própria ABL, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele morreu nesta terça-feira (22), em casa, no Rio de Janeiro, de pneumonia, aos 95 anos.
Zuenir ocupava a cadeira 32 da ABL desde 2015, quando sucedeu o escritor Ariano Suassuna. Deixa a esposa, dois filhos e legiões de fãs de sua obra versátil, referência no jornalismo e na literatura.
Escritor
Reconhecido como uma importante voz na defesa dos direitos humanos, Zuenir Ventura foi autor de obras marcantes, como “Cidade partida”, sobre a violência no Rio de Janeiro, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Reportagem em 1995; e “1968: o ano que não terminou”, sobre a resistência durante da ditadura militar, que vendeu milhares de cópias e teve quase 50 edições. O livro inspirou a minissérie “Anos rebeldes”, da TV Globo.
Jornalista
Nascido em Minas Gerais, em 1931, Zuenir Ventura era bacharel e licenciado em letras neolatinas e foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Começou no jornalismo em 1956, como arquivista. Atuou como repórter, colunista, editor, chefe de reportagem e diretor de redação nos principais jornais e revistas do país. Em suas reportagens, retratou momentos históricos dos últimos 60 anos, como a redemocratização, chacinas no Rio de Janeiro na década de 90 e o assassinato de Chico Mendes, em 1988. Por essa série de reportagens sobre a morte do ambientalista, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.
Zuenir Ventura também foi homenageado no documentário “Mestre Zu”, do diretor Zelito Viana, que destaca sua capacidade de identificar e retratar problemas sociais e políticos do país. Em 2008, recebeu ainda um troféu especial da ONU por ser um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Em nota, o presidente da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, destacou a importância do escritor e sua versatilidade como repórter, comentarista e intelectual. Merval ressaltou que Zuenir tinha um senso de humor refinado e foi um ambientalista genuíno.
O governo do Rio de Janeiro disse que Zuenir foi um dos grandes nomes da imprensa e da literatura brasileira e deixa uma contribuição marcante para a memória do país.






























