EUA anunciam sanções ao Tribunal Internacional Penal após Nobel da Paz

EUA anunciam sanções ao Tribunal Internacional Penal após Nobel da Paz

Os Estados Unidos impuseram novas sanções ao Tribunal Penal Internacional (TPI) nesta sexta-feira (9), após a ex-juíza da corte Navi Pillay ganhar o prêmio Nobel da Paz. A sul-africana atuou no tribunal entre 2003 e 2012 e foi reconhecida pelos seus esforços para promoção da paz e do direito internacional.

O governo de Donald Trump mantém uma postura hostil em relação ao TPI e já havia imposto sanções a seus promotores e juízes. A nova medida vai além, ao punir empresas que prestam serviços à própria corte. Esse tipo de sanção obriga bancos a encerrar contas ligadas ao tribunal e impede empresas de prestarem serviços à corte.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Trump nunca permitirá que o Tribunal Penal Internacional julgue norte-americanos. 

A vice-promotora do TPI, Nazhat Shameem condenou as sanções e afirmou que elas não impedirão o trabalho da corte. Shameem afirmou que essas medidas visam minar o Estado de Direito em nível internacional e o trabalho de uma instituição independente. 

Em 2024, o Tribunal Penal Internacional emitiu mandado de prisão contra autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por genocídio dos palestinos em Gaza. O órgão também pediu a prisão de integrantes do Hamas.

Fundada em 2002 e com sede nos Países Baixos, a corte internacional, também conhecida como Tribunal de Haia, julga crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio. O TPI conta com 125 Estados-membros, incluindo todos países da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com exceção dos Estados Unidos. O Brasil também integra a corte.

A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, Navi Pillay, afirmou que os crescentes ataques políticos ao direito internacional trazem risco de retorno ao domínio pela força, e não pela lei, no mundo.

* Com informações da Agência Reuters.