Fim da Moratória da Soja ameaça 1,5 milhão de hectares da Amazônia

Quase um 1,5 milhão de hectares de floresta amazônica podem ser perdidos dentro de dez anos, com o fim da “Moratória da Soja”. É o que mostra um estudo, publicado nessa quinta (16), na revista científica internacional Science.

A Moratória da Soja na Amazônia é um acordo que restringe a comercialização de grãos produzidos em áreas desmatadas após 2008. Segundo projeções técnicas, o fim desse pacto pode aumentar em 1,4 milhão de hectares a área desmatada entre hoje até 2035. Isso liberaria aproximadamente 745 milhões de toneladas de CO² na atmosfera, um volume semelhante às emissões anuais do Canadá.

Somado, o desmatamento total pode chegar a 3 milhões de hectares. Isso é mais que o Estado de Alagoas.

O estudo envolve pesquisadores do WWF Brasil, do Greenpeace, entre outras instituições, e reforça que a floresta de pé gera benefícios econômicos para o setor agrícola. A manutenção dos ciclos de chuva, por exemplo, traz economia para irrigação e geração de energia hidrelétrica avaliadas em R$ 782 milhões. Valor que superaria o lucro obtido com a expansão territorial da soja.

A conclusão do estudo é que, embora gere ganhos imediatos para alguns produtores, os custos ambientais e sociais do fim da moratória seriam para toda a sociedade. O relatório técnico sugere que o acordo vigente protege a reputação internacional do agro brasileiro e é uma ferramenta na gestão de riscos climáticos.

Em janeiro deste ano, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais anunciou a desfiliação oficial da Moratória da Soja. Hoje, são quatro as ações sobre o tema que estão no Supremo Tribunal Federal. O STF começa a analisá-las no dia 12 de agosto.

*Com informações da Agência Brasil. 

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