Novo decreto do governo federal reforça regras para big techs no país

Novo decreto do governo federal reforça regras para big techs no país

Novo decreto do governo federal reforça que empresas de tecnologia, as big techs, como Facebook, Instagram, X e Google, precisam cumprir a legislação brasileira e atuar para impedir a circulação maciça de conteúdos criminosos.

As plataformas devem impedir a circulação de crimes graves, como terrorismo, exploração sexual de crianças, tráfico de pessoas e incentivo à automutilação e à violência contra mulheres.

O presidente Lula assinou o decreto que altera o Marco Civil da Internet nesta quarta-feira.

As mudanças ocorrem devido ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet, que responsabiliza empresas de tecnologia sobre os conteúdos distribuídos em suas plataformas digitais.  

Paulo Rená, doutor em Direito pela Universidade de Brasília e foi gestor do processo de elaboração coletiva do Marco Civil da Internet no Brasil, explica que a retirada de conteúdo não vai depender mais de autorização judicial. Ele explica que o STF já tinha dado essa decisão o ano passado, então agora basta uma notificação para ela retirar o Material.

Em comunicado, a Presidência da República informou que “o decreto precisou ser atualizado para incorporar a decisão do STF e para ampliar a capacidade de agir diante do crescimento de fraudes digitais, golpes online e novas formas de violência na internet”.

O texto prevê medidas para enfrentar fraudes digitais, anúncios enganosos e redes artificiais usadas na disseminação de golpes. Uma das mudanças obriga as empresas que comercializam anúncios na internet a guardar os dados que permitam responsabilizar os autores.

Os usuários poderão notificar as plataformas para a retirada de conteúdos criminosos, garantindo a notificação do autor do conteúdo e possibilidade de contestação da decisão.

O Secretário de Políticas Digitais da Secretária de Comunicação Social da Presidência da República, João Brant, afirma que o governo vai fiscalizar essas obrigações.

A fiscalização dessas obrigações caberá à Autoridade Nacional de Proteção de Dados, uma agência reguladora federal.

Serviços de mensagens privadas, como o Whatsapp, e-mail e videoconferência não estão enquadrados nessas novas regras, já que a Constituição garante o direito ao sigilo de comunicações.

O decreto ainda resguarda o direito à expressão, à informação, a críticas, a paródias, a manifestações religiosas e à liberdade de crença.