Jogos online podem abrir brechas para que jovens entrem no cibercrime

Jogos online podem abrir brechas para que jovens entrem no cibercrime

As plataformas de jogos online, além de estarem no centro de polêmicas por expor crianças e adolescentes a abusos, elas também podem abrir brechas para que jovens entrem no cibercrime. O alerta é de Sérgio Luiz Santos, delegado de repressão a crimes cibernéticos de Pernambuco e que pesquisa cibersegurança no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, o CESAR.

“Isso é como se fosse já uma incubadora de algo que pode se tornar criminoso. Porque ele tenta muitas vezes trapacear no jogo, depois ele tenta piratear esse jogo e do piratear tenta monetizar e de monetizar precisa esconder esse dinheiro, ou seja, é um fluxo padrão até de uma fraude bancária. Só que num aspecto menor de jogos”.

Além de vender os jogos, as plataformas também vendem acessórios ou habilidades virtuais que ajudam a avançar etapas e a melhorar a performance do personagem. Bruno Vilela, de 30 anos, costuma jogar em plataformas online e diz que é comum encontrar pessoas tentando trapacear.

“Tem dentro dos joguinhos existem muitos itens que têm valor monetário, né? Independente do jogo, hoje em dia os jogos utilizam disso para monetizar o próprio jogo, a própria a própria plataforma. Então as pessoas também descobriram jeitos de trapacear e roubar esses itens dentro do jogo, né? Tipo, através de programação mesmo e através de hackear as contas dos outros”.

Sérgio Luiz Santos analisou o perfil atual dos criminosos virtuais no Brasil. São geralmente homens jovens, entre 18 e 30 anos, e que, apesar de terem familiaridade com o mundo virtual, não têm grande domínio da tecnologia. A especialidade, na verdade, é de convencimento.

“O golpista brasileiro não tinha nem conhecimento técnico. Ele é simplesmente um indivíduo que fazia o que a gente chama de engenharia social. Ele era muito bom na arte do engano. Hoje, ele já tem um conhecimento técnico, por exemplo, de fazer com que a sua vítima faça alguns comandos no celular que entregue o comando ali daquele aparelho pro golpista. Ou que faça instalar algum software malicioso dentro do computador e assim por diante. Eles estão evoluindo, mas ainda o conhecimento geral de um golpista é um conhecimento básico na área de tecnologia”.

Segundo a pesquisa Game Brasil feita no ano passado, 37% das pessoas entre 16 e 30 anos no Brasil jogam online. Desse total, mais de 80% dizem que os jogos são a principal plataforma de entretenimento. Sérgio lembra que a vigilância dos pais é fundamental para evitar o aliciamento.

“Se os pais não tiverem ali monitorando os seus filhos, cuidando dos seus filhos, pode ser uma porta de entrada até de aliciamento porque alguns adultos se infiltram nesses jogos e tentam aliciar jovens para o crime”.

Para denunciar violações aos direitos das crianças e adolescentes nas redes sociais, dá para ligar para a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos pelo Disque 100 ou no WhatsApp (61) 99611-0100. Também dá para denunciar em safernet.org.br.