Terremotos não têm relação com o El Niño, dizem especialistas

Terremotos não têm relação com o El Niño, dizem especialistas

Em 2026, terremotos de grande magnitude provocaram destruição e milhares de mortes em diferentes partes do mundo. Em junho, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu as Filipinas, deixando dezenas de mortos e alertas de tsunami. No Japão, a terra tremeu forte em abril e em julho, interrompendo os serviços de trens bala e deixando milhares sem energia.

Mas foi na América do Sul que o impacto humano foi mais drástico. Na Venezuela, o desastre ocorrido no final de junho já contabiliza mais de 4.800 mortos e quase 18 mil pessoas desabrigadas. Nesta semana, a Colômbia sofreu o tremor mais forte da década, com magnitude 7,4, que já deixou pelo menos 265 mortos e quase 500 desaparecidos.

A resposta está sob os nossos pés, na estrutura de quebra-cabeça da Terra, as placas tectônicas. George Sand, professor do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo, detalha como isso acontece.

“Você tem uma pressão grande na rocha, então essa rocha vai tendo uma pressão tão grande que chega uma hora que ela não aguenta e aí o terremoto acontece. Onde é que tem essas fraturas, onde tem essas falhas, geralmente no limite de placas tectônicas, onde tem as maiores falhas geológicas, que faz com que se movimentam”.

Segundo o George Sand, mesmo ocorrendo longe, a energia liberada é tão grande que as ondas viajam pela Terra e podem chegar ao Brasil.

“O terremoto dessa magnitude, ele tem uma área maior de abrangência e, por ser intermediário, ele vai sentir também regiões maiores ainda e os prédios, normalmente nos prédios, nos andares mais altos é que sente esse efeito do terremoto. Então, esse terremoto de 7, acima de 7, nessas regiões, seja na Argentina, seja no Chile, seja na Colômbia, seja na Venezuela, é sentido em algumas cidades brasileiras”.

Com a previsão de um El Niño muito forte para este ano, muita gente começou a ligar o aquecimento das águas do mar aos tremores de terra. Marcos Ferreira, geofísico do Serviço Geológico do Brasil, diz que ainda não há estudos que apontem para isso.

“Bom, não tem nada na literatura científica que sugere que as questões climáticas afetem a ocorrência ou não ocorrência de tremores. São mecanismos completamente não relacionados”.

O que faz um evento desses piorar é principalmente a proximidade com grandes cidades e a falta de preparo das estruturas. Ainda não podemos evitar que a Terra trema, mas podemos evitar que os prédios caiam. De acordo com Marcos Ferreira, a prevenção passa por códigos de construção rigorosos e monitoramento constante.

“O que a gente dá para fazer no momento é fazer realmente o monitoramento disso, nós fazemos isso com equipamentos modernos. No Brasil, nós temos a Rede Sismográfica Brasileira. A partir desses dados, você consegue identificar quais são essas áreas mais potenciais de ocorrência, quais são os terremotos esperados, dentro dos nossos catálogos sismológicos, e aí você deriva questões de risco sísmico para poder definir parâmetros para construções”.

A ciência avança no monitoramento, mas a preparação e o investimento em infraestrutura segura são as defesas reais contra a força imprevisível que vem do interior da Terra.